A Olaria

Info Geral

A História da Intervenção

 

No projeto intervencionado, consta uma parte da história do Mestre João Batata, desde o transporte do barro de barco, vindo de Santa Maria, ao pisar do mesmo na tenda (na obra pelo seu irmão, mestre José Batata), à execução das peças na roda do oleiro, o seu transporte de carroça pelo vendedor até ao uso doméstico do mesmo (na obra pela sua esposa, que recolhe água na famosa fonte de São Miguel).

 

No lado oposto, uma homenagem aquele que é o nosso último oleiro de profissão, cujo nome é reconhecido em toda esta vila, não só pelas suas mãos artísticas, como pela simpatia e sorriso rasgado com que sempre recebeu todos os que o visitaram, o mestre João da Rita.

 

A restante intervenção teve como inspiração os mosaicos, tão característicos da arte portuguesa, com referências recorrentes a diversas peças de olaria, possíveis de serem visitas no museu de VFC onde se encontram em exposição permanente.

A História da Obra

Durante anos a olaria fez parte da história de Vila Franca do Campo, sendo a mesma reconhecida pelos inúmeros oleiros e “tendas” onde os mesmos realizavam o seu ofício, com uma qualidade que lhes deu merecida fama em todo o arquipélago.

O barro, extraído em Santa Maria, era transportado em grandes bolas por barcos, que chegavam a realizar esta viagem até três vezes por semana, tantos eram os oleiros a necessitar da matéria prima.

Esta rota de transporte do barro, entre a Vila do Porto e Vila Franca do Campo, era tão importante em termos económicos que consagrou estas duas Vilas como irmãs,até aos dias correntes.

Já nas “tendas”, nome dado às olarias antigas, trabalhavam por norma um ou dois oleiros, os “mestres”, auxiliados pelos ajudantes e aprendizes, que pisavam o barro e preparavam o mesmo, retirando as suas impurezas, até este estar pronto para ser moldado pelas mãos experientes do mestre oleiro. Os jovens, desde cedo, tinham as suas funções específicas de auxilio no negócio, muitas vezes aos seus próprios familiares, com quem iam aprendendo as técnicas, ansiosamente esperando o dia em que lhes era permitido trabalhar o barro na roda.

Em Vila Franca do Campo, além dos pequenos fornos que alguns oleiros possuíam, foi construído um grande forno para a cozedura do barro, onde por norma, duas vezes ao ano, vários oleiros juntavam as suas peças para encher o forno todo e justificar o uso do mesmo.

 

Estas peças finalizadas eram depois comercializadas por toda a ilha, pelos vendedores de louça, que começaram por fazer o transporte a pé, seguindo-se o uso do burro e do cavalo e por fim das carroças de madeira, puxadas pelos cavalos, que permitiam realizar distâncias maiores, fazendo com que a louça da vila chegasse às casas de todas as freguesias da ilha de São Miguel. A louça de barro fazia parte do cotidiano doméstico das famílias, seja no armazenamento da água, preparação das farinhas, copos, pratos e outros utensílios da cozinha, mas não só, muitas vezes existindo louça mais fina, cujo objetivo seria mais decorativo do que funcional.

 

Hoje em dia, resta-nos um último oleiro em Vila Franca do Campo, conhecido como o Mestre João da Rita, que dedicou a sua vida a esta profissão, ofício que aprendeu com a sua família, que perpetua esta tradição à pelo menos três gerações.

Com ele termina uma parte importante da história característica de Vila Franca do Campo, agora possível de ser visitada e estudada graças aos esforços que têm sido realizados pela Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, o Museu e a Junta de São Pedro, no sentido de preservar as tendas dos oleiros (Roteiro das Olarias), o grande forno de cozedura e as peças de diferentes oleiros (Museu V.F.C) importantes da nossa história.

Workshops

Um protocolo com o CATL (centro de atividades de tempos livres)  de São Pedro foi criado para a realização de um workshop, no local, sobre pintura spray, que contou com a participação de 24 crianças, com idades compreendidas entre os 5 e os 12 anos.

Foi possível, para muitas das crianças envolvidas um primeiro contacto com as tintas spray e a aprendizagem do uso de stencils para a construção, por etapas, de um mosaico, com inclusão de uma peça de barro.

 

Cada criança pude realizar uma obra individual, com o apoio dos formadores no local, tendo o workshop durado cerca de 2 horas e contado com o apoio das professoras e assistentes do centro.

Localização

São Pedro- Vila Franca do Campo 9680
Rua Padre Lucindo de Andrade

(Junto à orla marítima)

Galerias

Obra Final

Videos

"A Olaria": intervenção nº1